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Cachoeira de Santa Bárbara


É mais bonito que no Instagram!

Com certeza você já viu uma foto dessas bombando nas redes sociais: uma cachoeira de águas tão azuis que não dá nem pra acreditar que isso fica no Brasil. Mas acredite, fica sim! Mais especificamente na Chapada dos Veadeiros em Goiás.

Eu fui lá e posso dizer com propriedade: ela é essa lindeza toda das fotos e na verdade até mais bonita quando vista de perto.

Mas todo destino turístico, quando muito divulgado, tem lá suas controvérsias. Nesse post eu vou contar um pouco da minha experiência na visita à Cachoeira de Santa Bárbara.

Como chegar

A Cachoeira de Santa Bárbara fica no povoado Engenho II, a 32km da cidade de Cavalcante, em estrada de terra. Pra quem estiver hospedado em São Jorge serão 126km de asfalto mais o trecho de 32km de terra. Pra quem vem de Alto Paraíso serão 90km + 32km. Apesar de um pouco cansativo, dá pra fazer um bate-volta das duas cidades pois a estrada está em boas condições e é uma reta sem fim, dá pra acelerar um pouco.

O povoado Engenho II é habitado por remanescentes quilombolas, conhecidos como kalungas, que vivem nessa região desde os tempos do Brasil Colonial. São os kalungas que controlam o acesso na região, logo o acesso da Santa Bárbara está sujeito às condições imposta por eles.

A primeira condição e a mais praticada na região é a cobrança de ingresso para entrada, R$20/pessoa. Até aí normal, todas as outras cachoeiras em propriedade privada também cobram. A segunda (e o que eu não curti nem um pouco) foi a obrigatoriedade de contratação de guia para conhecer a cachoeira. Totalmente desnecessário - vou explicar.

O visitante pode chegar com seu próprio guia, contratado em outras cidades, ou ainda contratar um guia kalunga. O guia local cobra R$70 pela diária e o valor pode ser dividido para um grupo de até 7 pessoas. Eu fui com o maridão sem guia e lá esperei outras pessoas chegarem pra poder fechar um grupo e dividir a diária do guia kalunga. Grupo fechado, guia contratado, lá vamos nós!

O acesso até a cachoeira é feito através de uma estrada de terra com 4km de extensão. O início dessa estrada é cortado por um rio que, dependendo muito das condições do barranco e do nível do rio, dá pra atravessar com carro comum. No dia que fui não dava, pois o barranco estava muito alto e não valia a pena arriscar o carro da locadora. Mas tem uma boa notícia: o Governo Federal está construindo um ponte no local e no futuro o acesso pode melhorar.

Restam as opções de ir andando ou pagar pra embarcar na caminhonete dos kalungas que faz o traslado por R$10 (ida e volta). Bota o povo todo na caçamba e vai sacolejando até 1km antes da cachoeira. Mas quer saber, super recomendo pagar pelo transporte.

Descendo no fim da estrada, a trilha de 1km até a cachoeira é muito tranquila, não tem o que errar. E aí eu te pergunto: o quê que o guia fez no nosso grupo? Absolutamente nada! E esse guia que nós contratamos pra piorar, não sabia explicar nada sobre o local, não tinha o menor senso de direção e nenhuma pró-atividade pra ajudar o grupo. Ou seja, pagamos um guia pra nada! Me senti totalmente explorada..

Mas nesse caso não há muito o que fazer, pois como as terras são dos kalungas, resta aos visitantes que querem conhecer a região, seguir suas regras sem questionar.

Cachoeira de Santa Bárbara

Ao iniciar a trilha para Santa Bárbara é engraçado, porque em nenhum momento você acredita que vai encontrar uma cachoeira tão incrível como esta. Para preparar os olhos e a mente, a primeira parada é a Santa Barbarinha, que é uma pequena queda antes da principal.

Nesse poço, que já é maravilhoso, a parada é quase relâmpago já que estamos todos ansiosos pra conhecer a grande atração do dia. A boa de Santa Barbarinha é que ela está sempre vazia.

Santa Barbarinha

Dois minutinhos de caminhada e chegamos na mais linda de todas: Santa Bárbara! É impossível não se encantar com as águas cristalinas dessa cachoeira!

Quando fui, cheguei na cachoeira por volta de 13hrs. Toda a missão de estrada, guia, jardineira e trilha me fez perder muito tempo até chegar lá. E o guia ainda falou que pela hora, não pegaríamos mais sol na cachoeira pois nessa época do ano o sol acabava cedo. Para minha surpresa (ou não pois esse guia não sabia de nada) ele estava errado e ainda peguei uma hora de sol na cachu.

Santa Bárbara

O sol é muito bom pra dar coragem pro mergulho. Ou melhor, pra sair do mergulho! Rs. A água da Santa Bárbara não é das mais geladas e foi inclusive, onde permaneci mais tempo curtindo dentro d'água.

O sol só não ajuda muito nas fotos. A claridade na água cristalina acaba prejudicando um pouco a qualidade da foto. Preferi fotografar a cachoeira sem o sol direto. Olha a foto abaixo a diferença!

Linda demais!

Parece uma pintura

Como eu disse no início no post, essa é a cachoeira mais badalada da região e isso não traz só a fama, mas também problemas. E um deles é a superlotação.

Em feriados e na alta temporada, a cachoeira fica tão cheia que foi preciso restringir o tempo de visitação dos grupos a apenas uma hora. Daí, fica uma pessoa na entrada da cachoeira anotando a hora de chegada de determinado guia e uma hora depois, acaba a brincadeira!

Viajei pra Chapada dos Veadeiros na baixa temporada e reservei um dia de semana pra visitar a Santa Bárbara e mesmo assim o movimento de turistas era grande. Pelo menos dei sorte de não pegar a restrição de uma hora e curti o tempo que quis por lá.

A boa notícia é que, se você for expulso de lá em uma hora não se preocupe, existem outras cachoeiras bacanas na região pra conhecer.

Distância de carro de Alto: 90km de asfalto + 32km de terra
Distância de carro de São Jorge: 126km de asfalto + 32km de terra
Distância de trilha: com jardineira 2km (ida e volta) / sem jardineira 10km (ida e volta)
Nível: fácil
Duração: Quase o dia inteiro
Preço: R$20 + contratação do guia obrigatória (R$70 que podem ser divididos em até 7 pessoas) + R$10 da jardineira

Capivara

Ao visitar a Santa Bárbara ganhamos de brinde a Cachoeira da Capivara. O acesso é fácil, apenas 1km de estrada de terra, a partir da sede da comunidade kalunga e mais 800m de trilha. Apesar de curta, a trilha é bem íngreme e cheia de pedras. É preciso um pouco mais de cuidado e atenção.

Certa de que eu não veria nada mais bonito que a Santa Bárbara nesse dia, ao chegar no primeiro poço, que não era a cachoeira principal mas era onde estava batendo um sol delicioso, me instalei ali mesmo. O grupo continuou a descer a trilha até a Capivara de verdade.

"Capivarinha"

Encontrei um pessoal que estava acabando de subir de volta da Capivara, que avisou que já não estava mais batendo sol lá embaixo. Foi o suficiente pra ter a certeza de que eu queria ficar ali mesmo. Por este motivo, vou ficar devendo fotos pessoais da Capivara.

Cachoeira da Capivara
Fonte:  www.guiaaltoparaiso.com

O pessoal do meu grupo quando voltou, confirmou a história: a cachoeira é muito bacana mas além de mergulharem na água super gelada, foram devorados pelos mosquitos. Fiquei muito feliz com a minha opção. Posso não ter conhecido a cachoeira principal mas o mergulho nesse poço cristalino com um sol delicioso de fim de tarde, foram perfeitos pra finalizar esse dia maravilhoso. É o que eu sempre digo: nem sempre o óbvio é a melhor opção! =) 

Distância de carro de Alto: 90km de asfalto + 33km de terra
Distância de carro de São Jorge: 126km de asfalto + 33km de terra
Distância de trilha: 1,6km (ida e volta)
Nível: fácil a médio
Duração: Metade do dia
Preço: R$20 + contratação do guia obrigatória (R$70 que podem ser divididos em até 7 pessoas) + R$10 da jardineira

Dicas Gerais

- Prefira fazer as trilhas de tênis ou sapatilhas de neoprene (mais fácil pra molhar). Fazer trilha de chinelo até dá, mas é perrengue, principalmente se arrebentar no meio do caminho.

- Proteger-se do sol é importantíssimo. Reforce o protetor solar e proteja a cabeça com um boné, chapéu, viseira etc.

- Ter um repelente em mãos também é bom.

- Levar água e lanchinho é fundamental. Levar seu lixo de volta mais ainda!

- Ao ver um grupo se aproximar na trilha, dê passagem. Não é que os outros sejam "apressadinhos", é que o ritmo de caminhada deles está mais forte que o seu, só isso. Cada um vai no seu ritmo, lembra?

-  Ficar atento onde pisa ou apoia as mãos é muito importante. Por se tratar de uma região de mata, é muito fácil encontrar animais peçonhentos. Eu não vi nenhum, ainda bem. Mas o risco é real.

- Outras cachoeiras da região que não tive oportunidade de visitar: Candaru, Rei do Prata, São Bartolomeu e Ave Maria. E com certeza, tem muito mais a descobrir pela região!


Mais sobre a Chapada dos Veadeiros

Chapada dos Veadeiros
Onde se hospedar na Chapada dos Veadeiros 
Melhor época para visitar a Chapada dos Veadeiros 
Cachoeiras da Chapada I 
Cachoeiras da Chapada II 


*Data da viagem: agosto/2016

Cachoeiras da Chapada II


Só na vibe boa..

Como disse no post anterior, seja qual for o motivo que te leve à Chapada dos Veadeiros um coisa é certa: a boa é curtir as cachoeira da região, seja pra refrescar (ou passar frio - rs), reenergizar ou apenas contemplar.

Nesse segundo post vou mostrar as cachoeiras que ficam em propriedades privadas e por isso, a entrada é paga. Lembrando que a Chapada tem inúmeras cachoeiras em propriedades particulares. Aqui vou falar apenas das que visitei, mas tem muito mais a ser descoberto na região.

Contratação de guia: obrigatório ou dispensável?

Muito se fala da necessidade / obrigatoriedade de contratação de guia para visitar algumas das cachoeiras da Chapada. Eu até acho bacana a ideia da contratação pelas informações técnicas que o guia pode passar, por se tratar de uma pessoa local que pode enriquecer sua experiência naquela cidade ou ainda caso aconteça um perrengue qualquer é ele quem vai ajudar a sair da situação, mas tecnicamente falando achei desnecessário para todas as trilhas que fiz.

Há que se considerar também que sou uma pessoa um pouco desenrolada. Tenho bom senso de direção, não tenho dificuldade na hora de caminhar entre as pedras. Pelo contrário, sou daquelas que vai lá na frente puxando a fila - rs. Sei que há pessoas que não são tão desenroladas assim. Mas aí vai de cada um saber em que perfil se encontra e como se sente mais confortável para encarar as trilhas.

Além disso, visitei a Chapada na época seca, quando não há riscos maiores de chuvas, trombas d'água, trilhas escorregadias etc. Com certeza isso facilita e muito a vida do turista que visita a região.

Considere também que a contratação de um guia aumenta o custo da viagem. A diária de um guia custa R$150,00. Longe de mim diminuir o valor do trabalho deles, já que é uma função que exige preparo, estudo e muita responsabilidade. Mas olhando do ponto de vista financeiro, somando a diária do guia mais a entrada das cachoeiras, o custo da brincadeira pode ficar pesado!

Por isso é muito importante avaliar bem, pois cada caso é diferente. Pra quem não se sente confortável em fazer trilhas desacompanhados, pode ser uma economia que não compensa. Eu, particularmente, não senti falta de guia, mas para outras pessoas, um seria indispensável. A dica é essa: avalie.
Pra dar uma situada

Mas vamos falar da atração principal? Vamos às cachoeiras..

Vale da Lua

O Vale da Lua é uma incrível formação geológica de pedras que se assemelham ao solo lunar. Tá ok, eu nunca fui à lua pra saber como é lá mas faz de conta que é assim! Rs. O Rio São Miguel passa por dentro dessas pedras, formando poços e pequenas quedas incríveis.

Chegamos na lua!

A trilha, com 600m de extensão, é bem fácil de percorrer, tem degraus e corrimão em alguns trechos. Já no trecho das pedras, é importante ficar atento para a sinalização. É super importante respeitá-la pois já aconteceram acidentes fatais nessa cachoeira.

Olha que água cristalina!

O Vale da Lua é um dos locais mais famosos da região, portanto o mais visitado também. Se possível, evite ir nos finais de semana e feriados. Eu fui num domingo e a lotação estava tensa. 

A estrutura da fazenda é bem interessante. Há lanchonete, um amplo estacionamento e banheiros.

 
Secrets spots

Pra visitar o Vale da Lua, metade do dia é suficiente. Por isso a boa é combinar com outra cachoeira de fácil visitação como Morada do Sol, Raizama, Águas Termais, São Bento e Loquinhas.

Distância de carro de Alto: 30km de asfalto + 5km de terra
Distância de carro de São Jorge: 6km de asfalto + 5km de terra
Distância de trilha: 1200m (ida e volta)
Nível: fácil
Tempo de visitação: Metade do dia
Preço: R$20

Almécegas

Almécegas, na verdade é um complexo de 3 cachoeiras localizadas na Fazenda São Bento. São elas: Almécegas I e II e São Bento. Aliás, a fazenda é uma graça, super bem organizada e possui pousada e restaurante no local.

A cachoeira que possui acesso mais fácil é a São Bento, que eu achei uma das mais bacanas. Basta estacionar o carro após a guarita da fazenda e fazer uma leve caminhada de 300m. 

Tem um poço enorme pra banho, uma pequena queda e uma caverna alagada do lado direito. Por ser a de mais fácil acesso, é a que fica mais cheia também.

 
Cachoeira São Bento

Seguindo a estrada de carro até o final, chega-se ao estacionamento de Almécegas II. Uma curta caminhada de 300m te deixa de cara com a cachoeira. A queda tem tamanho médio e o poço pra banho é bem grande.

 
Almécegas II

Poço de Almécegas II

Já Almécegas I requer um pequeno sacrifício. Tem que seguir por uma trilha de 3km (ida e volta). Seria super fácil se não fosse uma baita subida entre as pedras que te faz perder um pouco do fôlego quando se chega ao topo. Mas o sacrifício logo será recompensado..

A chegada na cachoeira é pelo alto e o dono da fazenda construiu dois grandes decks de madeira para apreciar a linda vista. A queda é enorme e tem um bom poço pra banho também. Pra chegar na base da cachoeira é preciso encarar uma descida daquelas! Como o meu dia havia sido muito puxado, preferi admirar a cachoeira de um dos mirantes e acabei não descendo.

Almécegas I

Em Almécegas I não bate muito sol, então é uma das cachoeiras mais geladas da região. Tanto que há uma brincadeira entre os locais que dizem que há três tipos de temperatura de água na Chapada: gelada, muito gelada e Almécegas.

A Fazenda São Bento conta com outras atividades como rapel na Almécegas I e a Tirolesa Voo do Gavião. Mais informações aqui. Dá pra passar um dia inteiro por lá. Quem quiser conhecer só as cachoeiras mesmo, até dá pra combinar com outra cachoeira de visitação rápida que fique próxima, como o Vale da Lua, por exemplo. 

Distância de carro de Alto: 8km de asfalto + 5km de terra (até Almécegas II, a cachoeira mais distante)
Distância de carro de São Jorge: 28km de asfalto + 5km de terra 
Distância de trilha: São Bento e Almécegas II = 600m (ida e volta) / Almécegas I = 3km (ida e volta)
Nível: fácil a médio
Tempo de visitação: Quase o dia todo. 
Preço: Pra visitar somente São Bento, R$10. Pra visitar as três, R$30.

Raizama

Se alguém me perguntasse se tem alguma cachoeira-pegadinha na Chapada eu responderia rapidamente: Raizama! Não que ela seja feia, pelo contrário. Mas é daqueles lugares que tem mais fama do que beleza.

O acesso até a Raizama é fácil. Até chegar no rio, a trilha é bem tranquila. Porém ao chegar no trecho das pedras, achei a estrutura muito precária. As escadas estão caindo aos pedaços, os corrimões não são nada seguros. E pra piorar, a cachoeira fica num vale, meio abismo, que qualquer queda seria fatal. Na verdade, a Raizama me deu medo! Pronto, falei!

O abismo da Raizama

Uma foto pra favorecer o local

Outro fator que achei que não contribui com o local: quase não bate sol.

Mas se você precisa conferir com seus próprios olhos, vá lá. Eu também fui. Pra visitar a Raizama, metade do dia é suficiente. Por isso a boa é combinar com outra cachoeira de fácil visitação como Morada do Sol, Vale, da Lua, Águas Termais, São Bento e Loquinhas.

Distância de carro de Alto: 38km de asfalto + 1km de terra
Distância de carro de São Jorge: 2km de asfalto + 1km de terra
Distância de trilha: 4km (ida e volta)
Nível: fácil
Tempo de visitação: Metade do dia
Preço: R$20

Cachoeira do Segredo

A Cachoeira do Segredo é uma das mais desafiadoras da Chapada. Seu percurso inicialmente tem 6km, ou seja, 12km de caminhada. Seria uma trilha como qualquer outra se não fosse preciso atravessar o rio 13 vezes!

Na temporada de chuvas na região, isso é um baita problemão. Li muitos relatos de gente que foi numa boa e voltou com a água acima da cintura sendo auxiliada por cordas. Tenso não? Mas na temporada da seca, tudo muda de figura. Os proprietários da fazenda abrem um segundo estacionamento 3km à frente do começo da trilha. Daí aqueles 6km do começo, se transformam em apenas 3km! Só que com um pequeno detalhe: tem que atravessar o rio de carro 4 vezes! Achou que seria tão fácil assim né?

Bora Sandero!!

As travessias do rio com o carro são bem tranquilas, pois o fundo é de pedra, então não corre o risco do carro atolar. Basta engatar a primeira e ir com tudo! Quem não se sentir seguro, tudo bem. Basta deixar o carro estacionado lá no começo e andar os 6km.

A trilha em si já é um atrativo à parte. Ela margeia o rio o tempo todo e as 9 travessias a pé são super tranquilas. O bom é que a caminhada é feita sob as árvores, então o sol não castiga tanto como nas outras trilhas da Chapada.

Atravessando o rio

No meio da trilha uma grata surpresa. Uma prainha com águas cristalinas já dá uma ideia da maravilha que está por vir. A parada aqui pode ser feita na ida e/ou na volta, você é quem escolhe. O local conta com mesas e bancos para fazer um lanchinho e recompor as energias.

Prainha

Ao final da trilha o mais surpreendente: a Cachoeira do Segredo! Uma queda de 100m que termina num poço de águas verdes e cristalinas. Linda, imponente mas com uma água gelada de doer os ossos! Mergulho aqui é para os fortes!

Cachoeira do Segredo

Na Cachoeira do Segredo não bate sol, por isso a água é tão gelada. Mas os fortes que nadam até debaixo da queda relatam que tem um filete de água quente na cachoeira. Eu não arrisquei, então nem posso dizer se é verdade ou não!

Detalhe importante: o ingresso da Cachoeira do Segredo é vendido apenas no centro da Vila de São Jorge. Não dê bobeira de chegar lá sem o seu ingresso.

Se a trilha for de 6km, a visita até a Cachoeira do Segredo é um passeio de dia todo. Se der sorte de pegar a trilha de 3km, dá pra combinar com outra cachoeira de visitação rápida da região, como Raizama, Morada do Sol e Águas Termais.

Distância de carro de Alto: 48km de asfalto + 9km de terra (ou 13km na época seca).
Distância de carro de São Jorge: 12km de asfalto + 9km de terra (ou 13km na época seca).
Distância de trilha: na época da seca: 6km (ida e volta) / na época de chuvas: 12km (ida e volta).
Nível: fácil (o dificultador é a distância).
Tempo de visitação: depende do tamanho da trilha. Longa = o dia todo / Curta (3km) = quase o dia todo.
Preço: R$35

Loquinhas

Loquinhas na verdade é um complexo de poços e pequenas quedas localizada na Fazenda Loquinhas, a apenas 3km do centro de Alto Paraíso.

A estrutura da fazenda é bem bacana e todas as trilhas são feitas em tablados suspensos, facilitando o acesso pra todos os visitantes. As atrações são todas muito bem sinalizadas e todos os poços tem um nome simpático, além de bancos, decks e escadas que levam o visitante até dentro d'água.

Lá é possível fazer duas trilhas. A Violeta que possui 6 poços e a Loquinhas, que possui 7 poços.

Poço da Vovó

Na época que fui, ouvi muita gente, inclusive lá em Alto Paraíso, me dizendo que não valeria a pena ir até Loquinhas, pois com a seca os poços não estavam bom pra banho. De fato, uma das trilhas, a Violeta, estava completamente seca mas a outra, Loquinhas, ainda que com pouca vazão, tinha poços maravilhosos! Eu teria me arrependido muito se não tivesse ido até lá! Valeu muito a pena!


Poço do Xamã - o mais lindo!

O que eu mais gostei de conhecer foi o Poço do Xamã, com uma água incrivelmente transparente! E pra quem disse que estava seco, na parte mais funda me cobria tranquilamente (e eu tenho 1,73cm). Então como disse, dá pra aproveitar muito bem o banho por lá.

Pra visitar Loquinhas, metade do dia é suficiente. Por isso a boa é combinar com outra cachoeira de fácil visitação como Cachoeira dos Cristais, Vale da Lua e Almécegas.

Distância de carro de Alto: 5km de terra
Distância de carro de São Jorge: 36km de asfalto + 5km de terra
Distância de trilha: 1,6km(ida e volta)
Nível: fácil
Tempo de visitação: Metade do dia
Preço: R$22

Poço Encantado

A Cachoeira do Poço Encantado fica na estrada para Cavalcante e tem um dos acessos mais fáceis de toda a Chapada. Do estacionamento dá até pra vê-la. Pra quem viaja com crianças, essa cachoeira é uma mão na roda!
Vista do estacionamento

Além do acesso fácil, por uma curta trilha de 200m, a propriedade conta com uma estrutura muito bacana: pousada, restaurante e bar, todos com vista pra cachoeira. 

Ponte suspensa pra animar a criançada

Já na cachoeira propriamente dita, há uma praia, bar e até salva-vidas! O poço da cachoeira é bem profundo, mas pra quem não quiser arriscar nadar até debaixo da queda, a parte mais clara é bem rasinha e dá pra aproveitar bem.

Prainha no Poço Encantado

Como o Poço Encantado fica bem distante de Alto Paraíso, acho que só vale a pena a parada numa ida à Cavalcante. Mesmo assim, pra quem vai fazer bate-volta pra conhecer Santa Bárbara, nem vale a pena parar na ida. Só se sobrar tempo na volta.

Distância de carro de Alto: 52km de asfalto
Distância de carro de São Jorge: 88km de asfalto
Distância de trilha: 400m (ida e volta)
Nível: fácil
Tempo de visitação: Metade do dia
Preço: R$20

Dicas Gerais

- Prefira fazer as trilhas de tênis ou sapatilhas de neoprene (mais fácil pra molhar). Fazer trilha de chinelo até dá, mas é perrengue, principalmente se arrebentar no meio do caminho.

- Proteger-se do sol é importantíssimo. Reforce o protetor solar e proteja a cabeça com um boné, chapéu, viseira etc.

- Ter um repelente em mãos também é bom.

- Levar água e lanchinho é fundamental. Levar seu lixo de volta mais ainda!

- Ao ver um grupo se aproximar na trilha, dê passagem. Não é que os outros sejam "apressadinhos", é que o ritmo de caminhada deles está mais forte que o seu, só isso. Cada um vai no seu ritmo, lembra?

-  Ficar atento onde pisa ou apoia as mãos é muito importante. Por se tratar de uma região de mata, é muito fácil encontrar animais peçonhentos. Eu não vi nenhum, ainda bem. Mas o risco é real.

- Outras cachoeiras em propriedade privadas que não tive oportunidade de visitar: Cristais, Macaco e Macaquinho, Anjos e Arcanjos, Encontro das Águas, Morada do Sol, Vale Dourado e Águas Termais. E com certeza, tem muito mais a descobrir pela região!


Mais sobre a Chapada dos Veadeiros

Chapada dos Veadeiros
Onde se hospedar na Chapada dos Veadeiros 
Melhor época para visitar a Chapada dos Veadeiros 
Cachoeiras da Chapada I
Cachoeira de Santa Bárbara

*Data da viagem: agosto/2016

Cachoeiras da Chapada I


Tão pequena diante de tanta grandeza..

As pessoas podem procurar a Chapada por diversos motivos mas um deles é o mais certo de todos: admirar e curtir as incríveis cachoeiras da região.

Só que pra chegar a esses pequenos paraísos, em sua maioria, é preciso fazer longas travessias pelas trilhas da Chapada. Mas todo e qualquer sacrifício vale a pena, pois as cachoeiras da Chapada são incríveis.

Nesse primeiro post vou falar das cachoeiras que possuem entrada gratuita: as do Parque Nacional da Chapada dos Veadeiros e a Catarata dos Couros.

Um detalhe muito importante pra se levar em consideração antes de ler o meu post é que a minha viagem à Chapada foi feita na época da seca. Logo, todas as cachoeiras estavam com níveis de água seguros para banho, não havia nenhum risco de tromba d'água, as trilhas estavam muito mais fáceis e as estradas de terra estavam totalmente transitáveis. Pra quem for visitar a Chapada na época de chuvas, esse cenário todo pode mudar bastante.

Parque Nacional da Chapada dos Veadeiros

O Parque Nacional da Chapada dos Veadeiros (PNCV) foi criado em 1961, com a intenção de proteger a fauna e flora local. Hoje ele é administrado pelo ICM-Bio que é responsável, dentre outras atividades, pelo controle de acesso ao parque.

A entrada no parque, por enquanto, é gratuita.  Para conhecê-lo é preciso se identificar na entrada, preenchendo um formulário com informações básicas (nome, endereço, telefone de contato etc) e assistir um vídeo com maiores informações sobre o parque. Depois é só escolher qual trilha seguir.

Detalhe importantíssimo: a entrada no parque é feita entre 8h e 12h. Fique atento pois eles são bem rigorosos com o horário. As segundas-feiras o parque fecha, exceto se for feriado. Durante as férias escolares (janeiro e julho) fica aberto todos os dias.

No parque há 4 trilhas que podem ser percorridas pelos visitantes. A mais fácil é a das Seriemas, que só funciona na temporada das chuvas. A Travessia das Sete Quedas, que dura de dois a três dias com direito à acampamento noturno, é para os fortes e só com agendamento prévio e guia cadastrado pelo parque. E as duas últimas, que são as mais populares: Cânions e Saltos.

Hora da decisão

As duas trilhas mais conhecidas são demarcadas pelas setas amarelas e vermelhas. Aliás o parque é muito bem sinalizado e dispensa a contratação de guia. Eu mesma fiz as duas trilhas sem guia e foi mega tranquilo.

Para informações oficiais sobre o PNCV, consulte esse site aqui, repleto de informações úteis para planejar sua visita.

Trilha dos Saltos + Corredeiras

A Trilha dos Saltos é sinalizada pelas setas amarelas e tem tem 11km de extensão. Tem esse nome pois as maiores atrações são as duas quedas do Rio Preto, uma de 120 metros de altura e outra de 80 metros, mais conhecida como Cachoeira do Garimpão. 

Não é das trilhas mais difíceis da Chapada, pois boa parte é quase plana, com poucas inclinações. O trecho mais difícil é o último quilômetro antes de chegar aos saltos pois a descida é bem íngreme e com bastante pedras. Na volta a subida é um pouco puxada também. Mas é só ir com calma, no seu ritmo  e com cuidado que não tem erro. 

A primeira parada é o mirante para o Salto 120. Não é possível tomar banho nessa cachoeira, então aproveite para bater as fotos e seguir trilha adiante.

Salto 120

 
Vale a frente do 120

Seguindo a trilha depois do mirante do 120, mais 800 metros de caminhada e chega-se ao poção do Salto 80, ou ainda Cachoeira do Garimpão. O lugar é mágico, lindo de morrer! Encontre seu cantinho preferido e aproveite o dia nesse paraíso!

 
Primeira visão do Salto 80


Lindão

Antes de sair do Salto 80 em direção à próxima atração, aproveite para dar um mergulho antes de encarar a subida da trilha, que é pesada, especialmente se for num dia de calor. Depois de concluir a subida, siga em direção às Corredeiras do Rio Preto para o último mergulho do dia. Destaque para a trilha, que além de super fácil, na verdade é uma estrada bem aberta, cheia de cristais! Imagine depois de admirar a grandeza do Salto 80, caminhar por trilha de cristais em estado bruto?! Coisas da Chapada..

Já nas Corredeiras, achei elas bacaninhas, mas nada de extraordinário. Na verdade é um conjunto de poços que se formam após um pequeno trecho de pedras, por onde desce o rio e formam-se as tais corredeiras. Como o lugar é de fácil acesso, costuma ficar bem cheio.


Corredeiras

Num ritmo bom de caminhada que é o meu, fiz a trilha em mais ou menos uma hora até o Salto 120. Então pra ficar bem confortável pra todos, reserve um dia inteiro para esta trilha.Tenho certeza de que não vai se arrepender.

Distância de carro de Alto: 36km de asfalto + 1km de terra
Distância de carro de São Jorge: 1km de terra
Distância da trilha: 11km (ida e volta)
Nível de dificuldade: de fácil a médio

Trilha dos Cânions + Cariocas

A Trilha dos Cânions, sinalizada pelas setas vermelhas, possui 12 km de extensão. Achei bem mais fácil que a dos Saltos pois além de ser praticamente toda plana, tem mais paradas pra banho que a outra. No calorão de agosto, fez toda a diferença.

Apesar do plural empregado no nome da trilha, apenas o Cânion II está aberto à visitação pois o I foi fechado para visitação, visando preservar uma espécie de ave rara que faz os seus ninhos no local.

Depois de uns 5km de caminhada na trilha há uma bifurcação onde o visitante escolhe entre a ida à Cachoeira das Cariocas ou seguir direto para o Cânion II. Eu preferi ir logo para o cânion pois estava mega curiosa para conhecê-lo. Antes porém, para aliviar o calor sufocante, uma paradinha nesse poço maravilhoso que fica exatamente antes do cânion. Acho que nunca tomei um banho de cachoeira mais perfeito que esse!

Depois de 5km de sol na cabeça, a recompensa

Minha expectativa foi mais do que superada. O cânion é realmente incrível! É possível caminhar por cima de seus paredões e tirar fotos maravilhosas. O que eu não sabia é que iria me surpreender ainda mais com o que estava por vir.

 
Cânion II

Quando iniciei a descida do cânion, dei de cara com um poço enorme de águas super tranquilas. Mais uma parada para um banho perfeito e fotos bacanas.

 
Poção do Cânion II


Cânion II de um ângulo mais refrescante

Hora de seguir adiante para a próxima atração da trilha que é a Cachoeira das Cariocas. A descida até a cachoeira é um pouco chatinha: bem íngreme e com muitas pedras. Mas é aquele esquema, vá devagar, com calma e não tem erro.

A Cariocas é linda demais! São diversas quedas e grandes poços para banho. Fiquei, mais uma vez, impressionada com a grandiosidade da Chapada.


Chegando na Cariocas

Sensacional!

Caminhando com passo acelerado, fiz essa trilha em uma hora e meia e debaixo de um sol fortíssimo. Foi bem pesado. Com certeza é um passeio de dia inteiro, especialmente pela quantidade de cachoeiras e poços bacanas pra tomar banho.

Se eu tivesse que escolher uma melhor trilha no parque, essa seria a minha eleita. Não que a outra não seja legal, mas essa é muito mais bacana!

Distância de carro de Alto: 36km de asfalto + 1km de terra
Distância de carro de São Jorge: 1km de terra
Distância da trilha: 12km (ida e volta)
Nível de dificuldade: fácil a médio

Catarata dos Couros

O trecho conhecido como Catarata dos Couros, é na verdade um complexo formado por diversas corredeiras, incontáveis poços maravilhosos para banho e 3 grandes cachoeiras: Muralha, Almécegas 1000 e Bujão.

 Minha primeira visão dos Couros

Mas nem tudo são flores pra chegar até lá. A estrada de terra até a Catarata dos Couros tem várias bifurcações e nenhuma placa pra sinalizar a direção a seguir. Reza a lenda que isso é cortesia de alguns guias da cidade, que tiram as placas na intenção de obrigar os turistas a contratarem seus serviços. Polêmicas à parte, trace a rota no Waze antes de sair da pousada e você vai chegar lá sem problema nenhum. Eu fui e deu super certo.

Outro detalhe pra ficar atento: num passado recente foram registrados muitos furtos aos carros que ficam estacionados no início da trilha. O pessoal passava o dia na cachoeira e quando voltava encontrava o vidro do carro quebrado. Hoje, alguns moradores de um assentamento de sem-terras que fica na região se organizaram para tomar conta dos carros. Basta deixar uma contribuição com os pessoal e tá tudo certo. Além claro, de não deixar nada de valor dentro do carro né?!

Mas nem de longe desanime de ir na Catarata dos Couros, ela é uma das mais incríveis da região. A trilha tem 3 km e não é das mais fáceis. O trecho inicial que vai até a Muralha e o final, que desce até o Cânion dos Couros são meio tensos: muitas pedras e super íngreme.

Se eu tivesse que recomendar a contratação de guia na Chapada, talvez o fizesse para ir pra lá. Eu fui sem guia e achei mega tranquilo mas eu sou daquelas que não passa aperto nas pedras, na verdade eu vou puxando a fila lá na frente! Mas tem pessoas que tem mais dificuldades e precisam de alguém para guiá-las, mostrar qual via seguir, onde é mais seguro pisar etc.

Pode escolher um poço pra você

Almécegas 1000

 
Bujão + Almécegas 1000


Mais quedas e poços

Lugar incrível

Todas as cachoeiras no trecho das Cataratas dos Couros são incríveis. Nem consigo dizer qual delas é mais legal porque todas são iradas. E uma das coisas que mais gostei é que o espaço é imenso, então mesmo que haja um grande número de visitantes é fácil encontrar um cantinho pra chamar só de seu.

Distância de carro de Alto: 18km de asfalto + 35km de terra
Distância de carro de São Jorge: 54km de asfalto + 35km de terra
Distância da trilha: 3km (ida e volta)
Nível de dificuldade: médio a difícil

Dicas Gerais

- Prefira fazer as trilhas de tênis ou sapatilhas de neoprene (mais fácil pra molhar). Fazer trilha de chinelo até dá, mas é perrengue, principalmente se arrebentar no meio do caminho.

- Proteger-se do sol é importantíssimo. Reforce o protetor solar e proteja a cabeça com um boné, chapéu, viseira etc.

- Ter um repelente em mãos também é bom.

- Levar água e lanchinho é fundamental. Levar seu lixo de volta mais ainda! Na entrada do parque tem um trailer natureba que vende sanduíches e bebidas. No estacionamento da Catarata dos Couros o pessoal que toma conta dos carros vende água de coco gelada. Ambos são salvadores no fim das trilhas - rs.

- Ao ver um grupo se aproximar na trilha, dê passagem. Não é que os outros sejam "apressadinhos", é que o ritmo de caminhada deles está mais forte que o seu, só isso. Cada um vai no seu ritmo, lembra?

-  Ficar atento onde pisa ou apoia as mãos é muito importante. Por se tratar de uma região de mata, é muito fácil encontrar animais peçonhentos. Eu não vi nenhum, ainda bem. Mas o risco é real.



Melhor época para visitar a Chapada dos Veadeiros


Sol rachando o coco!

Mas afinal, qual a melhor época pra visitar a Chapada dos Veadeiros?

Antes de programar sua viagem para a Chapada é preciso saber que a região possui basicamente duas estações: a época das chuvas e da seca. A de chuvas vai de outubro a maio e a seca, de abril a setembro.

Segundo os locais faz muita diferença escolher em qual época visitar a região, pois são duas Chapadas completamente diferentes. A época de chuvas é considerada mais uma viagem de contemplação, isto porque as cachoeiras estarão com seu volume de água muito aumentado e algumas podem até fechar pra banho. Já a época de seca é uma viagem pra "banhar" como eles dizem por lá, já que a maioria das cachoeiras está com pouco volume de água.

Definir qual é a melhor época vai depender do gosto de cada um. Há vários detalhes para se levar em consideração.

Estação das chuvas

Na época das chuvas, além do banho nas cachoeiras ficar comprometido por causa da correnteza, há o risco real de trombas d'água.

 Com chuva
Foto: mochileiros.com

Sem chuva

As estradas de terra se transformam em um grande lamaçal e provavelmente um carro sem tração terá dificuldade pra ir em todas as cachoeiras por causa dos atoleiros que se formam. O mesmo acontece com as trilhas. Tem que estar preparado pra caminhar na lama, se sujar todo e ainda, correr o risco de fazer trilha debaixo de chuva e molhar todos os pertences.

Por tudo isso, acredito que a contratação de um bom guia é fundamental nessa época, afinal é ele quem vai poder te tirar das roubadas, já que tem preparo e conhece bem a região.

O lado bom desse período é que algumas cachoeiras são sazonais e se formam apenas na época das chuvas. Ver as cachoeiras com aquele volume monstro de água também é um espetáculo à parte. Acrescente ao cenário a mata verde com muitas árvores e plantas incríveis que só existem no cerrado.

Algumas trilhas são recomendadas apenas para a época de chuvas, como é o caso do Mirante da Janela e do Morro da Baleia. As duas são trilhas longas e cansativas se feitas debaixo de muito sol e só tem cachoeira na época de chuvas, o que é perfeito para se refrescar e não transformar sua trilha numa tortura.

Estação seca

Na época seca todas as cachoeiras estão abertas para banho, sem risco de tromba d'água e com poços de águas tranquilas, sem correnteza.

 Sem correnteza e muitas piscinas!

As estradas de terra estão super secas e fáceis de transitar, na medida do possível, cheia de buracos e muita poeira. Todos os carros ficam com uma cor padrão: vermelho terra. Pratique o desapego! Algumas propriedades abrem trechos de estrada que passam por rios quase secos e com isso é possível chegar mais próximo das cachoeiras com o carro, reduzindo o tempo de trilha.

 Chão batido e poeira pro alto!

Agora, esteja preparado pra fazer as trilhas debaixo de um sol escaldante! Isso só é bom porque cria coragem pra mergulhar nas águas frias das cachoeiras - rs. Algumas cachoeiras e poços, que são sazonais, somem na época da seca, como é o caso da Cachoeira do Abismo, alguns dos poços em Loquinhas, entre outros.

Na época seca o mato estará seco e o risco de incêndios é altíssimo, podendo inclusive comprometer a sua viagem.

Minha conclusão

Por tudo isso que expus, preferi conhecer a Chapada dos Veadeiros na época seca. Achei perfeito! Dias de sol, calor e banhos incríveis nas cachoeiras. E o melhor, sem perrengue de chuva.

Mas é claro, tudo na vida tem seus prós e contras. E o inconveniente de visitar a Chapada nessa época foi além do calor excessivo em algumas trilhas, não "poder" fazer a trilha do Mirante da Janela, que era um dos meus sonhos. Como nessa época a Cachoeira do Abismo seca, percorrer os 10km de trilha sem ter um banho pra refrescar não é recomendado nem pelos guias mais experientes da região.

Hoje, se tivesse que voltar à região, talvez o fizesse numa época de transição entre a época de chuvas e da seca pra poder ver a mata verde, as cachoeiras com volume alto e poder fazer as trilhas que ficaram de fora do roteiro.


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*Data da viagem: agosto/2016