28/10/2016

Conhecendo a Cachoeira de Santa Bárbara


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É mais bonito que no Instagram!

A Cachoeira de Santa Bárbara é um dos lugares mais visitados da Chapada dos Veadeiros. Com certeza você já viu uma foto dessas bombando nas redes sociais: uma cachoeira de águas tão azuis que não dá nem pra acreditar que isso fica no Brasil. Mas acredite, fica sim!

Eu fui lá e posso dizer com propriedade: ela é essa lindeza toda das fotos e na verdade até mais bonita quando vista de perto. E aqui neste post vou dar dicas para te ajudar a programar sua visita a mais essa atração imperdível da Chapada e contar um pouco da minha experiência na visita à Cachoeira de Santa Bárbara.
Como chegar

A Cachoeira de Santa Bárbara fica no povoado Engenho II, a 32km da cidade de Cavalcante, em estrada de terra. Pra quem estiver hospedado em São Jorge serão 126km de asfalto mais o trecho de 32km de terra. Pra quem vem de Alto Paraíso serão 90km + 32km.

Apesar da distncia e de ser um pouco cansativo, dá pra fazer um bate-volta tanto de São Jorge como de Alto pois a estrada está em boas condições e é uma reta sem fim, com isso dá pra acelerar um pouco e chegar mais rápido.

O povoado Engenho II é habitado por remanescentes quilombolas, conhecidos como kalungas, que vivem nessa região desde os tempos do Brasil Colonial. São os kalungas que controlam o acesso na região, logo o acesso da Santa Bárbara está sujeito às condições imposta por eles.

A primeira condição e a mais praticada na região é a cobrança de ingresso para entrada, R$20/pessoa. Até aí normal, todas as outras cachoeiras em propriedade privada também cobram. A segunda (e pra mim o ponto mais controverso) foi a obrigatoriedade de contratação de guia para conhecer a cachoeira. Totalmente desnecessário - vou explicar.

O visitante pode chegar com seu próprio guia, contratado em outras cidades, ou ainda contratar um guia kalunga. O guia local cobra R$70 pela diária e o valor pode ser dividido para um grupo de até 7 pessoas. Eu fui com o maridão sem guia e lá esperei outras pessoas chegarem pra poder fechar um grupo e dividir a diária do guia kalunga. Grupo fechado, guia contratado, lá vamos nós!

O acesso até a cachoeira é feito através de uma estrada de terra com 4km de extensão. O início dessa estrada é cortado por um rio que, dependendo muito das condições do barranco e do nível do rio, dá pra atravessar com carro comum. No dia que fui não dava, pois o barranco estava muito alto e não valia a pena arriscar o carro da locadora. Mas tem uma boa notícia: o Governo Federal está construindo um ponte no local e no futuro o acesso pode melhorar.

Restam as opções de ir andando ou pagar pra embarcar na jardineira dos kalungas que faz o traslado por R$10 (ida e volta). O esquema é o seguinte: bota o povo todo na caçamba de uma caminhonete bem velha e vai sacolejando até 1km antes da cachoeira. Mas quer saber, pra evitar a caminhada debaixo de sol forte, super recomendo pagar pelo transporte.

Descendo no fim da estrada, a trilha de 1km até a cachoeira é muito tranquila, não tem o que errar. E aí eu te pergunto: o quê que o guia fez no nosso grupo? Absolutamente nada! E esse guia que nós contratamos pra piorar, não sabia explicar nada sobre o local, não tinha o menor senso de direção e nenhuma pró-atividade. Uma das meninas do grupo escorregou e caiu na travessia do rio e ele nem se quer ajudou! Ou seja, pagamos um guia pra nada! Me senti totalmente enganada..

Mas quanto à obrigatoriedade de contratação do guia não há o que fazer, pois como as terras são dos kalungas, resta aos visitantes que querem conhecer a região, seguir suas regras sem questionar. Eu sei que tem toda a questão de valorização da população local, o turismo ajudando no desenvolvimento e tal.. mas guia que não sabe nem se comunicar com o grupo é complicado também, né?

A Cachoeira de Santa Bárbara

Ao iniciar a trilha pra Santa Bárbara é engraçado, porque em nenhum momento você acredita que vai encontrar uma cachoeira tão incrível como esta. Pra preparar os olhos e a mente, a primeira parada é a Santa Barbarinha, que é uma pequena queda antes da principal.

Nesse poço, que já é maravilhoso, a parada é quase relâmpago já que tá todo mundo ansioso pra conhecer a grande atração do dia. A boa de Santa Barbarinha é que ela está sempre vazia. Aí a gente para rapidinho, bate a aquela foto e segue adiante.

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Santa Barbarinha

Dois minutinhos de caminhada e chegamos na mais linda de todas: Santa Bárbara! É impossível não se encantar com as águas cristalinas dessa cachoeira!

Cheguei na cachoeira por volta de 13hrs. Toda a missão de estrada, guia, jardineira e trilha me fez perder muito tempo até chegar lá. E o guia ainda falou que pela hora, não pegaríamos mais sol na cachoeira pois nessa época do ano o sol acabava cedo. Para minha surpresa (ou não pois esse guia não sabia de nada) ele estava errado e ainda peguei uma hora de sol na cachu.

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Santa Bárbara

O sol é muito bom pra dar coragem pro mergulho. Ou melhor, pra sair do mergulho! 😂. A água da Santa Bárbara não é das mais geladas e foi inclusive onde passei mais tempo mergulhando.

A luz do sol só não ajuda muito nas fotos. A claridade na água cristalina acaba prejudicando um pouco a qualidade da foto. Acabei preferindo fotografar a cachoeira sem o sol direto. Olha a foto abaixo a diferença!

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Linda demais!

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Parece uma pintura

Como eu disse no início no post, essa é a cachoeira mais badalada da região e isso não traz só a fama, mas também problemas. E um deles é a superlotação.

Em feriados e na alta temporada, a cachoeira fica tão cheia que foi preciso restringir o tempo de visitação dos grupos a apenas uma hora. Daí, fica uma pessoa na entrada da cachoeira anotando a hora de chegada de determinado guia e uma hora depois, o grupo precisa sair pra dar lugar ao próximo.

Minha viagem pra Chapada dos Veadeiros foi na baixa temporada e reservei um dia de semana pra visitar a Santa Bárbara e mesmo assim o movimento de turistas era grande no dia. Pelo menos dei sorte de não pegar a restrição de uma hora e curti o tempo que quis por lá. Por isso, programe bem sua visita e procure ir em dias aparentemente tranquilos.

A boa notícia é que, se você for expulso de lá em uma hora não se preocupe, existem outras cachoeiras bacanas na região pra conhecer.

Distância de carro de Alto: 90km de asfalto + 32km de terra
Distância de carro de São Jorge: 126km de asfalto + 32km de terra
Distância de trilha: com jardineira 2km (ida e volta) / sem jardineira 10km (ida e volta)
Nível: fácil
Duração: Quase o dia inteiro
Preço: R$20 + contratação do guia obrigatória (R$70 que podem ser divididos em até 7 pessoas) + R$10 da jardineira

Cachoeira da Capivara

Ao visitar a Santa Bárbara ganhamos de brinde a Cachoeira da Capivara. O acesso é fácil, apenas 1km de estrada de terra, a partir da sede da comunidade kalunga e mais 800m de trilha. Apesar de curta, a trilha é bem íngreme e cheia de pedras. É preciso um pouco mais de cuidado e atenção.

Certa de que eu não veria nada mais bonito que a Santa Bárbara nesse dia, ao chegar no primeiro poço, que não era a cachoeira principal mas era onde estava batendo um sol delicioso, me instalei ali mesmo. O grupo continuou a descer a trilha até a Capivara de verdade.

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"Capivarinha"

Encontrei um pessoal que estava acabando de subir de volta da Capivara, que avisou que já não estava mais batendo sol lá embaixo. Foi o suficiente pra ter a certeza de que eu queria ficar ali mesmo. Por este motivo, vou ficar devendo fotos pessoais da Capivara.

Cachoeira da Capivara
Cachoeira da Capivara
Fonte:  www.guiaaltoparaiso.com

O pessoal do meu grupo quando voltou, confirmou a história: a cachoeira é muito bacana mas além de mergulharem na água super gelada, foram devorados pelos mosquitos. Fiquei muito feliz com a minha opção. Posso não ter conhecido a cachoeira principal mas o mergulho nesse poço cristalino com um sol delicioso de fim de tarde, foram perfeitos pra finalizar esse dia maravilhoso. É o que eu sempre digo: nem sempre o óbvio é a melhor opção! =) 

Distância de carro de Alto: 90km de asfalto + 33km de terra
Distância de carro de São Jorge: 126km de asfalto + 33km de terra
Distância de trilha: 1,6km (ida e volta)
Nível: fácil a médio
Duração: Metade do dia
Preço: R$20 + contratação do guia obrigatória (R$70 que podem ser divididos em até 7 pessoas).

Dicas Gerais
- Prefira fazer as trilhas de tênis ou sapatilhas de neoprene (mais fácil pra molhar). Fazer trilha de chinelo até dá, mas é perrengue, principalmente se arrebentar no meio do caminho.

- Proteger-se do sol é importantíssimo. Reforce o protetor solar e proteja a cabeça com um boné, chapéu, viseira etc.

- Ter um repelente em mãos também é bom.

- Levar água e lanchinho é fundamental. Levar seu lixo de volta mais ainda!

- Ao ver um grupo se aproximar na trilha, dê passagem. Não é que os outros sejam "apressadinhos", é que o ritmo de caminhada deles está mais forte que o seu, só isso. Cada um vai no seu ritmo, lembra?

-  Ficar atento onde pisa ou apoia as mãos é muito importante. Por se tratar de uma região de mata, é muito fácil encontrar animais peçonhentos. Eu não vi nenhum, ainda bem. Mas o risco é real.

- Outras cachoeiras da região que não tive oportunidade de visitar: Candaru, Rei do Prata, São Bartolomeu e Ave Maria. E com certeza, tem muito mais a descobrir pela região!


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*Data da viagem: agosto/2016



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