19/07/2015

Um passeio pela Road to Hana em Maui


Os encantos da Road to Hana

Durante toda a minha viagem pelo Havaí uma dúvida rondou meu roteiro: fazer ou não a tão famosa e por alguns temida, estrada pra Hana.

Hana é uma pequena cidade na costa leste de Maui. Sua principal atração não é a cidade em si e sim a estrada que leva até ela. Com aproximadamente 600 curvas, a Road to Hana fica encravada numa floresta tropical com vistas deslumbrantes para o mar. Soma-se a isso incontáveis cachoeiras ao longo de todo o caminho e outras atrações incríveis, como praias de areia preta e vermelha.

Mas porque a dúvida? Um dos pontos em questão era o tempo curto que eu tinha em Maui. Pra esse passeio é necessário reservar um dia inteiro e eu não sabia se valeria a pena gastar um, dos dois dias que eu tinha na ilha. E pra complicar, o dia disponível para o passeio seria um domingo, daí imaginei que a estrada e as atrações poderiam estar cheias.

Mas a maior dúvida mesmo era em relação à volta. A maioria dos blogs especializados dizem não ser possível continuar na estrada depois de Hana e a volta teria que ser feita pelo mesmo caminho da ida. Depois de Hana começa a Piilani Highway, e segundo relatos, essa estrada seria muito perigosa e as locadoras proibiam a passagem por esse trecho. 

Só que encarar as 600 curvas de novo não me pareceu muito animador. Eu queria mesmo era seguir a estrada depois de Hana e descobrir o que há  do outro lado do vulcão Haleakala. E aí, o que fazer?

Enfim.. no final resolvi que não poderia deixar de conhecer um dos passeios mais tradicionais em Maui e decidi encarar a Road to Hana. E em relação a volta, relaxei e deixei pra resolver na hora. Se tivesse que encarar as curvas novamente, paciência..

Como montar seu roteiro

Ué, mas pra seguir reto numa estrada precisa? A resposta é sim! Pode parecer óbvio pegar a estrada e seguir em frente parando onde der na telha, mas acredite, são muitas, incontáveis cachoeiras e outras atrações, que se você não tiver em mente o que tem vontade de ver/fazer pode acabar distribuindo mal o seu tempo.

As atrações são identificadas através dos marcadores de milhas da estrada. A minha sugestão pra organizar o roteiro é que sejam feitas duas listas: uma com os lugares que você quer visitar e outra das atrações que você não tem interesse. Isso porque em vários lugares os carros ficam estacionados na estrada e você fica sem saber se vale a pena parar ali ou não.

Mas então, não seria mais fácil criar um mapa no telefone? Estamos em 2015.. (essa foi a pergunta do maridão quando me viu colando o roteiro no painel do carro). Pode ser que sim mas eu ainda prefiro um bom e velho papel. Detesto ficar procurando coisas no celular enquanto tem um mundo lindo lá fora pra eu conhecer. E outra, o telefone ficou sem sinal durante quase todo o percurso, então nem sei se seria uma boa ideia..

Meu mapa da Road to Hana

Um outro detalhe que li em diversos blogs é que o passeio deveria ser iniciado muito cedo, pois não dá tempo de fazer tudo. Bem, como aqui vou contar a minha experiência, eu saí do hotel às 10:30h e fiz tudo super na boa. Fui em todas as atrações que tive vontade de conhecer e o melhor, sem correria.

E sobre o domingo, que achei que poderia ser um caos, também foi super tranquilo. Trânsito normal, os lugares não estavam cheios e na real, nem parecia um domingo!

Providências

A primeira providência é iniciar a estrada com o tanque de combustível cheio. O último posto antes de pegar a estrada pra Hana, fica na cidade de Paia. Depois só em Hana e com o preço caríssimo.

Um dica é zerar o marcador de milhas no início da estrada, para identificar a localização das atrações. Comigo não deu muito certo. Eu zerei o marcador na milha 0, mas só bateu com a primeira cachoeira no mile maker 2. Daí pra frente a marcação da estrada estava bem diferente da marcação do meu carro. Aí não sei dizer de quem era o problema, se era da estrada ou do carro. De toda forma, observei que a localização das atrações se aproximava mais das marcações da estrada.

A próxima dica pra mim não é especificamente pra Road to Hana e sim pra vida inteira: nunca, em lugar nenhum do mundo, deixe seus objetos de valor à mostra dentro do carro. Sempre haverá algum oportunista querendo levar vantagem da ocasião. Lá não é diferente, há vários relatos de turistas que tiveram o vidro do carro quebrado. Eu mesma vi estilhaços de vidro em alguns estacionamentos e em alguns pontos de parada, há inclusive placas com o alerta. Então acho que não é lenda, rola mesmo..

Mesmo com o alerta, vi gente indo pra cachoeira e deixando o celular no console do carro com o vidro aberto. Ou então indo pra praia e deixando a GoPro presa no teto do carro. Não vamos facilitar que o azar faça parte da viagem, ok? Ao sair do carro, coloque tudo dentro de uma mochila e leve-a junto com você.

Uma boa pedida é levar também: sapatilhas de neoprene, toalhas, muda de roupa (caso a chuva te pegue desprevenido) e kit sobrevivência (bebidas e petiscos).

E por fim um aviso muito importante. A estrada pra Hana não é só um passeio turístico, ela é a única via de transporte para todos que moram na região. Por isso a dica super preciosa é: dê passagem. Fique atento ao retrovisor e na primeira oportunidade, entre em um dos vários recuos que a estrada possui e deixe o morador passar. 

Nessa região há muitos moradores que são defensores do movimento separatista da ilha e eles por natureza já detestam os turistas. Pegar uma cara mal-humorado desses na sua traseira não é legal, vai por mim. Eu mesma vi um cara grande, numa caminhonete gigante, xingando um grupo de turistas meio sem noção. Temos que ficar ligados, afinal no Havaí somos todos haoles..

 A estrada

A estrada é de fato um show à parte. São incontáveis cachoeiras, uma mais linda que a outra, visuais de floresta tropical, vista para penhascos lindíssimos e ainda algumas praias. No dia que fui apenas não dei muita sorte com o tempo. A região de Hana normalmente é muito chuvosa e pegar um dia de sol por essas bandas é coisa rara.

Na real, foram poucos os momentos atrapalhados pela chuva. O tempo só estava nublado e em alguns momentos até ameaçava abrir. O problema mesmo estava no alto do vulcão, onde chovia muito. Com isso o volume das cachoeiras estava muito forte e em muitas que imaginei que fosse mergulhar, não dava nem pra chegar perto. Mas ainda assim o passeio foi demais.

Um detalhe curioso é que durante todo o percurso é possível ver na frente das casas bancas de madeira com frutas e flores. Essa é a forma dos locais colocarem a sua produção à venda e o turista gente boa passa ali, pega o que quiser e deixa o dinheiro numa caixinha que fica ao lado. Interessante não? Isso aqui no Brasil jamais funcionaria..

Vou parar de falar e ir direto ao que interessa!

Twin Falls (mile maker 2)

Essa é a primeira cachoeira do circuito. Fica numa propriedade particular mas sua entrada é aberta ao público e gratuita. Na entrada, o proprietário montou um trailer pra vender a produção de sua fazenda

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Entrada da Twin Falls

A trilha é bem tranquila de ser percorrida. Até a primeira cachoeira leva-se uns 10 minutos. No dia, o volume da cachoeira estava tão forte, que a trilha até a segunda estava interditada.

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Essa era a expectativa

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E essa, a realidade

Waikamoi Falls (mile maker 10)

Essa é uma cachoeira com um grande poço a poucos passos da estrada. Tem até uma corda amarrada na árvore pra brincar de se jogar na água. Mas com essa correnteza, nem pensar!

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Waikamoi Falls

Halfway to Hana (mile maker 17)

O nome é autoexplicativo né? É um trailer que fica no meio do caminho pra Hana. Vende bebidas e produtos regionais. O carro chefe da casa é o Banana Bread ($6), que apesar do nome mais se assemelha a um bolo caseiro.

Eu preciso dizer que bolo de banana é um dos meus preferidos, então como boa especialista que sou posso dizer: o bolo é de comer rezando! É um bolo simples, caseiro e estava fresco, quentinho.. perfeito! Recomendo também o brownie da casa ($3).


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Metade do caminho!

Outra coisa bacana que tem lá é esse mural do mapa mundi com pins para marcar o lugar de onde você veio. No dia que eu fui tava meio vazio, mas deixei lá meu pin amarelo no Rio de Janeiro!

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Where are you from?

Upper Waikani (mile maker 19,5)

Bela cachoeira, alta e bem próxima da estrada. Não tem estacionamento e o jeito foi parar no meio do acostamento, que já estava bem cheio.

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Upper Waikani

Pua'a Ka'a Falls (mile maker 22)

Essa foi uma das surpresas mais agradáveis do dia. Estava no meu roteiro como uma das atrações que não queria ver, pois achei que fosse uma cachoeira sem graça. Chegando lá vi que estava errada pois é uma das cachoeiras com melhor infra: possui banheiros, estacionamento e várias mesas para pic-nic.

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Além do que, era uma das poucas do dia que não teve o seu volume aumentado por causa das chuvas. Ainda dei sorte de ter aberto um solzinho tímido enquanto estava por lá. São vários poços diferentes, bom pra achar um cantinho pra chamar de seu.

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Wai'anapanapa State Park (mile maker 32)

Nome soletrável: Black Sand Beach. Essa praia de areia de preta é uma das atrações mais famosas da Road to Hana. Sua entrada é bem escondida, fique alerta para o marcador de milhas. É preciso sair da estrada principal e pegar uma secundária curta, que passa por entre casas locais.

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Black Sand Beach

No canto direito da praia, tem uma caverna que dá saída pro mar. Apesar da entrada ser bem baixinha, por dentro é grande e tem um visual muito bacana. Por causa da claridade minhas fotos de lá ficaram ruins.

No trecho inicial da praia o chão é formado de pequenas pedras pretas arredondadas. Areia mesmo só no canto esquerdo, onde se inicia uma trilha de fácil acesso e muito bonita, com vista para os costões de formação vulcânica.

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Areia preta mesmo

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Vista da trilha

Saindo do estacionamento da praia, fique atento para uma entrada à direita que dá acesso a uma das atrações mais curiosas daqui, a Wai'anapanapa Cave. É uma caverna de águas cristalinas que possui um buraco debaixo das rochas onde é possível entrar e se esconder.

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Hawaiian Legends

Durante uma época do ano, devido a presença de inúmeros camarões minúsculos a água fica totalmente vermelha. Reza a lenda que uma princesa havaiana, casada com um marido muito cruel, foi aprisionada e morta nesta caverna e as águas vermelhas seriam a lembrança do sangue dessa princesa. Legal, não?

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Sem sangue, só água cristalina

Hana (mile maker 34)

Eu não quis entrar em Hana, pois estava curtindo muito as belezas naturais da estrada. De qualquer maneira, pra quem estiver interessado, Hana é uma cidade pequena, bem local e não possui muitos atrativos, a passagem vale mais pela curiosidade.

Neste ponto da estrada a contagem de milhas passa a ser regressiva (começa a Piilani Hwy). Pode seguir em frente sem medo de ser feliz.

Wailua Falls (mile maker 44,8)

Mais uma cachoeira lindíssima. É bem alta e dá pra bater foto bem próxima dela. Tem bom espaço para estacionar o carro.

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Wailua Falls

Kipahulu Visitor Center (mile maker 42)

O Kipahulu Visitor Center faz parte do Haleakala National Park, que possui duas entradas: uma no alto da cratera do vulcão e outra no litoral, na Piilani Hwy.

A entrada no parque custa US$10,00 por carro e é válida por três dias. O acesso pode ser feito em qualquer uma das duas entradas, basta guardar o comprovante. A sede litorânea do parque, além daquela estrutura completa comum nos parques americanos, conta também com diversas atrações. 

Uma delas, a Oheo Gulch, conhecida também como Seven Sacred Pools é um conjunto de vários poços, que dependendo das condições do rio, pode ser ótima pedida para um bom mergulho. No dia que eu fui, pelo volume de chuva não estava tão legal assim.

Num dia normal..

A mais famosa das atrações do parque é a Pipiwai Trail. É uma trilha de aproximadamente 3km, que dá acesso à cachoeira mais incrível que eu já vi na minha vida, a Waimoku Falls: uma queda livre de 400 metros de altura.
 
A dificuldade da trilha é média, mais pela extensão do que pela dificuldade em si. Num ritmo acelerado, levei 50 minutos pra ir e mais 50 pra voltar. O trecho inicial é o mais complicado pois além de íngreme, é bem acidentado e com muitas pedras. Com "sorte", você ainda pode pegar chuva assim como eu e acrescentar um lamaçal nesse trecho também. Super recomendo o uso de tênis ou sapatilhas de neoprene.

pipiwai trail hana maui
É um chão pra chegar até lá..

pipiwai trail hana maui
Bonita assim, só na foto. Tinha muita lama..

Mas já entendi que chegar aos paraísos na Terra requer algum sacrifício. Pelo menos tem algumas paisagens recompensadoras no caminho, como a cachoeira em Makahiku ou uma árvore centenária, enorme e linda. Ótima pedida pra parar, descansar e bater altas fotos.

makahiku falls hana maui
Makahiku

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Árvore da vida (eu que inventei esse nome agora)


Depois de atravessar as pontes vem a colher de chá da trilha e daí pra frente além do visual incrível da floresta de bambu, a trilha é toda sobre um tablado de madeira, molezinha pra caminhar

pipiwai trail hana maui
Duas pontes pelo caminho

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Floresta de bambu

E depois de muito subir, essa é a primeira visão da Waimoku Falls. O encantamento é inevitável. Agora atenção para um detalhe técnico: a partir desse trecho, a recomendação oficial do parque é para não ultrapassar, devido ao risco de flash floods, ou tromba-d'água em bom português. Mas quem caminhou 50 minutos morro acima pra ver a cachoeira de longe? Eu é que não! Segui adiante!

Mas antes faço um alerta: só vá se você realmente se sentir à vontade e saiba que estará indo por sua conta e risco.

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Waimoku Falls

A boa notícia é que o trecho até a queda é mega tranquilo de ser percorrido. Primeiro é preciso atravessar um riacho e esse é o trecho de maior "tensão". Mas se for com cuidado e olhando bem onde pisa, não terá problemas. Daí é só seguir adiante e contemplar essa maravilha. A beleza e a energia do lugar é indescritível.

waimoku falls maui hana
Sem palavras pra descrever o momento

Depois de me energizar nesse lugar incrível resolvi descer a trilha de volta ao estacionamento. Foi só virar as costas pra cachoeira e dar os primeiros passos que começou a cair uma chuva daquelas! Foi tenso descer a trilha debaixo de chuva, mas quer saber?! Foi um dos melhores banhos de chuva da minha vida!

waimoku falls maui hana
Mahalo Maui!

Depois do parque minha gente, não tem jeito.. é o famoso ou dá ou desce: ou você pega a estrada e volta pelo mesmo caminho da ida ou encara o desafio da Piilani Highway. Adivinhem qual foi a minha opção? Óbvio que foi a Piilani!! 

Vou contar essa história em outro post, pois esse aqui já está gigante!

Conclusão

Se a minha dúvida inicial era fazer ou não a estrada de Hana, agora posso dizer com conhecimento de causa: tem que ir! Nenhuma visita à Maui é completa sem conhecer esse lado da ilha.

Acho que preparação para este passeio é fundamental. Pesquise, leia e destaque as atrações de maior interesse. E não deixe de seguir as orientações sobre o que providenciar antes de iniciar a estrada.

Não acho que seja necessário pernoitar em Hana, dá pra fazer tudo em um dia. Mas quem não quiser perder nenhum detalhe e conhecer a região em seus mínimos detalhes, considere este opção.

Por fim, digo que Maui é um espetáculo da natureza. Tem que ver pra crer!


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